Wednesday, 26 August 2015

Beleza


O que é que nos leva a escrever sobre um livro?
O que é que nos leva a escrever sobre um prato de comida?
Sobre o eclipse lunar ou uma aurora boreal?
Sobre uma pena, sobre o cheiro da maresia, sobre uns sapatos?
O que é que nos leva a escrever sobre a voz de alguém? Ou sobre a luz das nove da manhã que entra pelas persianas da cozinha?

A beleza. É esse estado de ser de algo que não pertence a uma coisa nem aos nossos olhos, que paira antes como um equilibrista na linha que se estende entre os dois - feita de experiências, de sensibilidades, idades, contextos, mas maioritariamente feita de coisa nenhuma. Essa linha que só nós sentimos, porque é demasiado ténue para a conseguirmos ver.
Escrevemos porque é a nossa tentativa de perpetuar e materializar - diria que, acima de tudo, racionalizar - o diálogo interno entre nós e aquilo que nos toca - a beleza disso ou a falta dela. Para tentar compreender. Para que nos compreendamos.




Pão de curcuma (açafrão-das-índias) e avelã da Eric Kayser, com ricotta, pimenta preta e umas pedrinhas de flor de sal. Azeite. Sumo de manga e cantaloupe. 


P.S.Agora, por favor, tragam a Eric Kayser de volta à Baixa rapidamente!


In english, click below.


What makes us write about a book?
What makes us write about a plate of food?
About the solar eclipse or the northern lights?
About a feather, the smell of the sea, a pair of shoes?
What makes us write about someone's voice? Or about the nine a.m light that comes through the kitchen blinds?

Beauty. It's that state of being that doesn't belong to a thing nor to our eyes, but instead it stands as an equilibrist in the line extending between the two - made of experiences, sensibilities, ages, contexts, but mostly made of nothing. That line that only we can feel, because it's too thin to be seen.
We write as a way of trying to perpetuate and materialise - I would say, more than anything, to rationalise - the intern dialogue between us and what moves us - the beauty of it, or the lack of that beauty. We write to try to understand. So we can understand ourselves.


(on the picture)
Turmeric and hazelnut bread from Eric Kayser, ricotta, topped with a pinch of flour de sal and black pepper. Olive oil. Mango-cantaloupe juice.






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